LGBTfobia: entendendo a raiz do preconceito

Publicado em: 28/02/2019 Por: Redação SBie

© Depositphotos.com/worldofvector Entender as próprias emoções é a melhor maneira de se proteger do preconceito.

O preconceito está completamente escancarado na sociedade atual, e LGBTfobia não foge dessa intolerância. A intransigência e a falta de respeito com as diferenças estão cada vez mais enrustidos, velados e embutidos no inconsciente coletivo, mas é preciso entender a raiz de toda essa inflexibilidade.

De acordo com o dicionário, o preconceito é uma opinião desfavorável que não é baseada em dados objetivos, mas sim unicamente em um sentimento hostil motivado por hábitos de julgamento ou generalizações apressadas. É uma ideia ou conceito formado antecipadamente e sem fundamento sério ou imparcial.

A discriminação de grupos sempre foi uma característica muito presente na evolução da vida em grupo. Tanto grupos de animais sociais não-humanos quanto grupos humanos identificam-se entre duas categorias distintas: o “nós” e os “outros” (ou como são chamados na psicologia evolutiva, “insider” e “outsider group”). Um exemplo clássico é a denominação “bárbaro”, que era o nome dado pelos gregos aos que não eram gregos. “Bárbaros” significa “os outros”, e hoje recebeu um significado ainda mais pejorativo.

“Os outros” não são somente os outros: eles geralmente são também os inimigos. Não são “civilizados”, não têm nossos costumes, são violentos, tem comportamentos estranhos que não são os nossos, nos trazem doenças, comem nossa comida e nos matam, e, por isso, os outros merecem ser combatidos. Foi aí que nasceu a construção do preconceito velado na nossa sociedade.

A história LGBT

A busca de direitos LGBTs começou nos Estados Unidos, em junho de 1969, com as Revoltas de Stonewall. Até os anos 60, os Estados Unidos tinham uma legislação anti-LGBT muito rígida e cruel: era crime amar alguém do mesmo sexo, e um relacionamento LGBT podia levar à prisão perpétua.

Castração, choque elétrico e lobotomia — cirurgias que retiram parte do cérebro do paciente — eram usadas para tentar “curar” LGBTs, já que a homossexualidade e a transexualidade eram consideradas, até o final dos anos 70, transtornos mentais.

Pouco a pouco a comunidade LGBT foi se organizando, e, apesar das grandes barreiras que essa população ainda sofre nos dias de hoje, houve uma grande evolução no campo dos direitos: um exemplo disso é o reconhecimento da legalidade da união estável entre pessoas do mesmo sexo em maio de 2011.

Apesar de LGBT ser a sigla mais utilizada, ela ainda não inclui todas as comunidades menos conhecidas por aqueles/as de fora do movimento LGBT. Atualmente, a versão mais completa da sigla é LGBTPQIA+, na qual as letras significam:

L = Lésbicas — mulheres atraídas por outras mulheres.

G = Gays — homens atraídos por outros homens.

B = Bissexuais — pessoas atraídas tanto pelo mesmo gênero quanto pelo oposto.

T = Travestis, transexuais e transgêneros — “trans” significa “além de”, o que define as pessoas que estão os além dos gêneros feminino e masculino tradicionais.

P = Pansexuais — sentem atração sexual e/ou amorosa por pessoas independentemente do gênero dessas.

Q = Queer — representa as pessoas que não se encaixam nos padrões heterossexuais e/ou no binarismo de gênero.

I = Intersex — abreviação para “intersexual”, que faz referência a pessoas que biologicamente não se encaixam nem no binário feminino e, nem no masculino. Isso se dá por questões hormonais, genitais e/ou nos cromossomos (genética).

A = Assexuais — aqueles/as que nunca, ou raramente, sentem-se atraídos/as sexualmente por outras pessoas.

+ = Sinal utilizado para incluir pessoas que não se sintam representadas por nenhuma das outras sete letras.

A raiz do preconceito

Muitas pessoas ainda acham a união homoafetiva uma anormalidade. Repressão sexual, fanatismo religioso, machismo e rigidez na educação são alguns dos fatores que ensinam o indivíduo a ser preconceituoso. Todo preconceito é aprendido em algum momento da vida, especialmente durante a infância — seja em casa, na escola, na mídia ou na igreja.

Para Inteligência Emocional, toda forma de preconceito — incluindo a LGBTfobia — situa-se em duas questões principais:

— Insegurança em relação à própria sexualidade: pessoas que se reprimiram ou foram reprimidas sexualmente acabam projetando e canalizando sua frustração em forma de revolta. Filhos que nasceram de sexos diferentes do desejado pelos pais, traumas de infância, abusos e violência sexual também podem desencadear essa insegurança;

— Incapacidade de lidar com as diferenças e aceitar as adversidades: pessoas que não têm habilidade para administrar suas emoções se tornam rígidas em relação à sua visão do mundo. Maus tratos na infância, pais violentos e rígidos, excesso de críticas, rigidez, traumas, famílias disfuncionais e violência doméstica são alguns dos fatores que podem desencadear essa rigidez.

Problemas de baixa autoestima também podem levar a uma visão LGBTfóbica, pois uma pessoa só é capaz de aceitar o outro quando consegue se aceitar. Além disso, pessoas com baixa estima sentem necessidade de inferiorizar os outros, e acabam encontrando nas diferenças uma justificativa para tal comportamento.

A Inteligência Emocional e a LGBTfobia

É importante fazer uma reflexão para conseguir encontrar os nossos próprios preconceitos, para que assim consigamos desconstruí-los. Coloque num papel todos seus julgamentos – por mais inofensivos que eles pareçam para você — e tente racionalizá-los. Busque entender onde está a raiz deste padrão comportamental ou pensamento.

Entender as próprias emoções é a melhor maneira de se proteger do preconceito. A dificuldade em lidar com as diferenças mora na incapacidade de administrar as próprias emoções e sentimentos. Pessoas emocionalmente inteligentes, por sua vez, não perdem tempo com posturas rígidas em relação às diversidades.

Essa rigidez ocorre por conta de alguns fatores que servem como gatilhos para a dificuldade em aceitar qualquer tipo de dissemelhança. Por meio da Inteligência Emocional é possível promover o conhecimento das emoções e compreensão da própria história de vida. A partir dessa consciência, é possível trabalhar e ressignificar cada trauma ou padrão de comportamento até que eles sejam dissolvidos e esses gatilhos sejam ressignificados.

Seja para superar os problemas emocionais causados pela LGBTfobia ou então para se livrar dos próprios preconceitos e a dificuldade em aceitar diferentes formas de amar e se relacionar, a Inteligência Emocional é uma ferramenta poderosa. Conheça o Lotus, um treinamento que proporciona um mergulho profundo em suas emoções e que mudará a maneira como você lida com as suas relações e com você mesmo.

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